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(Des)Conversas com adolescentes


Os pais e as mães por vezes queixam-se de que os/as filhos/as mudaram a sua forma de estar na relação com a família, estão distantes e a comunicação é difícil. Para os/as pais/mães é angustiante tentar dialogar e sentir que as respostas acontecem com pouca expressão, sentindo a ausência de vontade de comunicar.

É mais comum esta situação ocorrer com filhos adolescentes. Nesta fase de desenvolvimento, os adolescentes têm mais necessidade de um espaço próprio e, naturalmente, cresce a importância de permanecer mais tempo com quem possuí os mesmos interesses. Na maior parte das vezes, são os pares que têm este perfil identificativo e estas relações com pessoas que possuem ideias comuns é muito salutar para o crescimento psicológico do/a adolescente.

O/A adolescente vivencia, por vezes, esta etapa de desenvolvimento com instabilidade emocional e daí decorre diversas vezes depararmo-nos com mau humor, irresponsabilidade, rebeldia, impaciência e revolta.

Apesar de ser crucial respeitar e aceitar este processo de mudança, continua a ser essencial estar disponível, auscultando os ritmos do/a adolescente. Os/As pais/mães não devem forçar o diálogo, mas demonstrar que o laço de confiança pode permanecer, mesmo que os/as confidentes dos/as filhos/as já não sejam eles/as. Ou seja, a disponibilidade para uma escuta ativa no momento em que o/a seu/sua filho/a solicita esse apoio ou apenas esse instante de diálogo pode ser demasiado importante para adiar. Permita que o primeiro passo seja dado pelo/a adolescente.

Estar presente pode significar estar atento/a: partilhe o que sente relativamente ao seu trabalho ou outras atividades, mostre que confia no/a seu/sua filho/a para que seja mais facilitada uma troca de sentimentos, ideias, desafios ou problemas vivenciados.

O acompanhamento ao/à adolescente deve ser sempre presente, mas nada intrusivo. O adulto deve ser paciente e aguardar a necessidade, demonstrando a compreensão, a atenção, a existência de tempo para que o/a filho/a não hesite em caso de dúvidas ou simples partilhas de momentos.

Quando a família se sente preocupada com algum assunto, não é aconselhável esperar que o/a adolescente procure o adulto. Deve abordá-lo/a, evitando que as conversas sérias aconteçam perto de outros adultos amigos ou familiares. Em casos mais graves deve, mesmo assim, ouvir antes de acusar. Aprender a escutar é uma ferramenta essencial na relação entre adolescentes e adultos.

Se numa discussão com o/a seu/sua filho/a ele/a se exaltar, será mais eficaz adiar essa conversa para quando a calma estiver presente. Assim, evita aumentar a agressividade da troca de palavras que impulsivamente expressam. Retomar o diálogo quando a serenidade estiver construída levará a uma maior possibilidade de resolução da situação.

Os(as) pais/mães poderão mais facilmente estabelecer um diálogo equilibrado se tiverem em conta as doses de exigência, liberdade e afeto.

Não esquecer:
Uma boa relação com o/a adolescente começa no investimento relacional desde o nascimento, sem ultrapassar nenhuma etapa. A relação afetiva segura e estável precocemente promove a diminuição de dificuldades no período da adolescência.
http://www.psinove.com/a-equipa/sandra-helena



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