Avançar para o conteúdo principal

Para onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer aquilo que sentimos?

Os silêncios podem ter várias razões, podem servir para diversas ocasiões e, ainda, podem ter distintos significados. Em termos sociais, os silêncios são identificados como algo negativo, desconfortável, embaraçoso ou, ainda, desenquadrado.

Mas, todos eles têm uma razão de ser, que pode significar uma resposta externa ou interna ao meio, projetando o silêncio. Alguns são potenciados pelas nossas emoções, outros pela ausência delas e, outros mesmo, pela combinação dos dois. Dependerá, sempre, da forma como encaramos as situações e do impacto que as mesmas têm em nós. A forma como as nossas emoções forem tocadas dará sequência às diversas respostas que podemos dar.

Seja como for, os silêncios, quando deixamos de dizer aquilo que sentimos, vão para um lugar mais profundo, dentro de nós, onde se acumulam com outros silêncios de outros sentimentos e emoções guardados e, por isso, não vividos. Aqui, o seu significado é escondido, até que a necessidade de bem-estar invoque a resolução do sentimento ou emoção em causa, provocando o silêncio de pensar sobre si, levando, novamente, aos sons de viver emocionalmente.

Há silêncios, terapêuticos, que podem servir como forma de introspeção. Um olhar para dentro, num processo de perceção do que estamos a sentir naquele momento, permitindo que o ruído interno surja por estarmos em silêncio cá fora.


Desta forma, não devemos criar silêncios para evitar manifestar o que sentimos. Experienciar os nossos sentimentos e emoções de forma real permite-nos alcançar o nosso melhor bem-estar, num estado de equilíbrio connosco e com os outros. Permite-nos viver de acordo com o nosso verdadeiro Eu e, isso, não é em silêncio, de todo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

As birras dos adultos

Quando pensamos na palavra birra, surgem-nos à mente reacções ou comportamentos exagerados, fora de contexto ou irracionais e que tendem a ser causados por um capricho pessoal, frustração ou contrariedade. São, afinal, comportamentos que tendem a quebrar a harmonia nas relações e são uma potencial fonte de problemas, se não forem bem geridos. Claro que uma birra todos podemos fazer, uma vez ou outra vez. Desde que seja apenas isso.

Associamos birras às crianças, é inevitável! A grande questão é que nós, adultos, também as fazemos e frequentemente. Neste texto, procuro explorar as birras nos adultos: o que as causa, de que forma se manifestam e o que temos a fazer nestes casos.

O primeiro passo é reconhecermos que as fazemos e quando as fazemos. Perante o outro mas, mais do que tudo, perante nós próprios. Dentro do conceito de birra, surgem tantas vezes comportamentos que nos levam a responsabilizar as outras pessoas e factores externos para comportamentos menos adequados (ou com pi…

Bem me quero

Hoje é dia de falar de amor e, acima de tudo, de o celebrar. No meio dos chocolates, flores, jantares iluminados com velas e planos a dois é demasiado fácil associar este dia ao amor romântico, com tudo o que pode haver de belo e de avassalador nessa experiência de partilha. Menos óbvio, no entanto, será compreender de que forma o amor pode vir de dentro ou como encontrá-lo, fazendo a distinção entre o que é meu e da minha relação comigo e o que é da minha relação com o outro. 
O envolvimento que temos connosco próprios é primordial e essencial. Somos a nossa primeira e eterna companhia. Naturalmente, é profundamente doloroso quando essa companhia não é satisfatória ou quando se transforma em crítica e rejeição. Um self que não se ama – narcisismos à parte - é um self que se debate na hora da entrega ao outro. Parece imperativo, portanto, que nos cuidemos ou, melhor dizendo, que nos amemos.
Há amor em trazer para as nossas vidas pessoas que nos nutrem, regando cuidadosamente essas …