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Mensagens

“Ano Novo, Vida Nova”, mas não logo!

A passagem de ano é encarada por muitos como um ponto de viragem. São variadas as pessoas que aproveitam este momento para reflectirem sobre as suas vidas, em particular, sobre o que conquistaram e perderam no ano que passou, e sobre o que gostariam de ver mantido e mudado no ano que se segue.

A par com esta reflexão, a experiência de transição (não só temporal) contemplada naqueles 10 últimos segundos do ano, ou mesmo antes, parece trazer consigo sentimentos de esperança e coragem para enfrentar o novo ano, a oportunidade para recomeçar ou melhorar a vida que se tem. “Ano Novo, Vida Nova”, “Que a paz, a saúde e o amor estejam presentes todos os dias deste novo ano!”, e “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas”, são algumas das frases e intenções que se ouvem nesta altura e que ilustram tão bem a fé, por vezes desmesurada, que é depositada naqueles primeiros instantes, dias ou meses.

Esta esperança e coragem podem ser também característicos de outras f…
Mensagens recentes

Gosto de alguém com personalidade borderline... o papel da validação

Qualquer pessoa que se encontre numa situação de desregulação emocional conseguirá mais facilmente regular a intensidade das suas emoções se se sentir compreendida, se sentir que aquilo que está a experienciar pode ser compreendido pelos outros. A este movimento de compreender o que o outro está a sentir chamamos de validação.
A validação é um conceito que está relacionado com a autenticação, o reconhecimento de algum aspecto na experiência do outro. A quem nunca aconteceu que, ao sentir-se injustiçado, tenha ficado excessivamente activado com a zanga ou raiva e, ao partilhar a sua experiência com alguém, comece a reduzir a intensidade das emoções que se está a sentir? Sobretudo se tivermos a possibilidade de ouvir uma resposta como “Percebo perfeitamente o que estás a dizer” ou “Também estaria a sentir-me dessa forma, se fosse eu”.

É este o poder da validação na nossa vida quotidiana. Quando estamos a falar de alguém com uma perturbação de personalidade borderline, esta questão aum…

Adolescência Virtual

Num mundo virtual e sem limites, a facilidade de comunicar e de trocar informação levou à criação de novos hábitos, formas de aprendizagem, de lazer e de diversão. Criar laços e estabelecer relações tornou-se mais rápido e fácil entre os adolescentes, onde os amigos virtuais ganham maior terreno em detrimento dos amigos reais.
Plataformas como o Facebook, Snapchat, Instagram, Youtube ou Twitter permitem a conexão de milhares de adolescentes em simultâneo onde conversar e partilhar informação em tempo real está apenas à distância de um click.
Estar só e ao mesmo tempo no meio de uma multidão de amigos, sobretudo virtuais, parece ser a situação ideal para a maioria dos jovens. Assim, as relações virtuais parecem cada vez mais representar uma busca pela identidade e integração.
Caracterizadas pela distância física, as relações virtuais são alimentadas através da internet e do uso frequente das redes sociais. São descritas pelos adolescentes como relações sólidas, profundas e de grand…

Gosto de alguém com personalidade borderline... e é a minha namorada

“A minha namorada tem um padrão de comunicação facilmente identificável. Primeiro vem a parte do “Amo-te” em que tudo é maravilhoso. É isso que me mantém na relação. Depois, vem a parte do “Estás a sufocar-me” e a tensão começa a aumentar até ela querer acabar a relação. Terminamos. Três dias depois ela liga como se nada se tivesse passado. Nunca vi este comportamento antes. Quando está tudo bem, é óptimo. Mas quando é que este ciclo acaba?”
Harry, in Stop walking on eggshells workbook
Viver próximo de alguém com perturbação de personalidade borderline pode significar viver em crise muitas vezes. As reacções emocionais extremas características das pessoas com estas características de personalidade são esmagadoras e nascem com frequência de sentimentos como desespero ou desesperança, fazendo com que estas pessoas se sintam sem saída, bloqueadas nesta reacção emocional. Ser cônjuge/namorado(a) de alguém com perturbação borderline significa, muitas vezes, ter de lidar com estas reacções…

Plataformas de encontros: E porque não?

Um estudo de 2017 mostra que nas gerações de pessoas entre os 20 e 30 anos, a maior parte dos casais conheceu-se online. Apesar destes dados serem norte americanos, também em Portugal é cada vez mais frequente esta realidade. Depois de se conhecerem, o que acontece é que descobrem quais os amigos reais em comum e o mais provável é existirem vários. E são também os mais novos que falam com maior naturalidade sobre este assunto.
Investigação crescente mostra que as relações iniciadas online têm uma probabilidade ligeiramente maior de sucesso comparativamente com aquelas em que as pessoas se conhecem por outros meios. Outros estudos mostram que é equivalente, mas o que nenhum mostra é que o sucesso é menor. A vantagem, a existir, parece estar na maior abertura com que as pessoas falam delas próprias e do que procuram numa relação quando estão atrás de um ecrã, percebendo mais rapidamente se existe interesse mútuo.
É entre as gerações mais velhas que os preconceitos e a vergonha de assu…

Gosto de alguém com personalidade borderline... e é o meu irmão

“Resolvi visitar a minha cunhada, sobrinhas e irmão com personalidade borderline. Há muito tempo que não o via por causa das suas características, mas como ia passar por perto, achei que devia fazê-lo. Quando comentei o facto de não falarmos há muito tempo, ele começou a gritar comigo, dizendo que nunca me preocupo com ele, que os nossos pais gostavam mais de mim – o que não acho que seja verdade, mas sim que ele lhes causou um grande sofrimento. Ele continuava a discutir e eu não pude fazer nada porque estávamos dentro do carro. Ele ia dizendo que todos esperávamos que ele fosse médico e não um mero técnico de saúde. Depois, vindo do nada, começou a acusar-me de dizer ao fotógrafo do meu casamento (em 1994!) para não lhe tirar fotografias.”
Rochelle, in Stop walking on eggshells workbook

As relações entre irmãos nem sempre são isentas de conflitos ou mágoas, resultantes do processo de crescer e de nos tornarmos pessoas progressivamente mais diferenciadas. Quando a esta complexidade …

Voltar atrás a cada momento

Hoje, quero partilhar convosco uma das passagens literárias que mais me tocou, retirada de um livro que me trouxe muito. Trata-se de um excerto do livro “Eu, Yalom: memórias de um psicoterapeuta”, de Irvin D. Yalom, um psicoterapeuta brilhante que escreve, neste livro, as suas memórias enquanto profissional e, sobretudo, enquanto pessoa que está na base desse profissional. Esta passagem que vos trago mostra a sua reflexão sobre um outro pensamento:
"«Pois, à medida que me aproximo mais e mais do fim, viajo num círculo cada vez mais próximo do início. Parece ser um dos tipos de planos e preparativos do caminho. O meu coração é tocado, agora, por muitas recordações que há muito tinham adormecido…»

Essa passagem comove-me tremendamente: de facto, à medida que me aproximo do fim, também eu me vejo a regressar cada vez mais ao início. As memórias dos meus clientes desencadeiam com uma frequência cada vez maior as minhas, o meu trabalho acerca do seu futuro invoca e perturba o meu p…

Os perigos da Internet… Como ajudar os seus filhos!

A Internet veio para ficar... E com ela cresce a facilidade de comunicar, quer seja através de chats (grupos online de conversação), vídeos, imagens, jogos ou redes sociais.
A sua constante procura e utilização por parte dos adolescentes representa uma busca pela autonomia e crescimento. Surgem os grupos de conversa no Whatsapp, os pedidos de amizade no Facebook e no Instagram ou os jogos online que partilham entre amigos e/ou desconhecidos, permitindo aos jovens, de uma forma muito rápida, criar grupos de amigos onde o contacto é rápido e permanente.

Para pais, educadores ou qualquer adulto que esteja responsável pela educação de um adolescente, é importante que, além de saberem como é utilizado um telemóvel ou um computador, saibam como funciona a Internet e o que representa para os adolescentes para que possam estabelecer uma boa relação e comunicação com eles.

Os perigos na Internet são reais e, ultimamente, muitos têm sido os jogos ou desafios online que têm surgido como o “B…

A nossa família: Qual é o seu papel na construção da identidade na infância?

Única e insubstituível, a Família é o primeiro lugar onde a criança aprende a relacionar-se com os outros, a partilhar, a amar e a sentir-se amada. O primeiro lugar onde aprende limites, respeitando o outro e o seu espaço mas também onde aprende a respeitar-se a si própria.
No longo processo que é a identidade, que surge a partir do momento em que é dado à criança o seu nome tornando-a única, a família apresenta-se como protagonista nos primeiros anos de vida da criança, pois é esta que ensina valores e regras sociais, onde a criança busca inspiração e na qual se baseia para percorrer e construir o seu percurso ao longo da sua vida.

Podemos, assim, apelidar a família de primeiro grupo de referência e socialização. São aprendidos comportamentos, hábitos, atitudes e conceitos e modos de se relacionar, os quais a criança irá replicar nas suas interacções futuras enquanto adolescente e adulto.

A criança, na sua interacção com os diferentes elementos da família, passa por um processo d…

A Crítica e o Elogio na nossa vida: parte I – a Crítica

Tanto o elogio como a crítica têm um papel importante nas nossas relações, papéis e actividades diárias. Porém, muitas pessoas não usam estes comportamentos de forma flexível e ajustada ao momento presente. Muitas delas, não tiveram modelos parentais que lhes ensinassem a elogiar e a criticar de forma saudável e promotora do crescimento. Este primeiro texto assenta sobre o poder da crítica e o seguinte será sobre o elogio.

A crítica, em demasia, tem uma influência negativa no desenvolvimento e manutenção da auto-estima. Tornamo-nos híper conscientes a respeito dos nossos supostos “defeitos”, incapacidades e limitações. Esta perspectiva tende a prejudicar quem somos, como nos relacionamos com os outros e que fazemos. Física e psicologicamente, temos a sensação que não somos bons o suficiente. Que somos diferentes. Que somos menos do que os outros. E se pensar na minha prática clínica, a crítica exagerada pode contribuir para pessoas ansiosas, depressivas, com perturbações alimentares…