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Mensagens

Gosto de alguém com personalidade borderline... e é o meu filho.

"O nosso filho tem dezasseis anos, por isso, por vezes, é difícil perceber onde acaba o tradicional comportamento adolescente e onde começa a perturbação de personalidade borderline. Como ele não adere à terapia, provavelmente nem importa. Vivemos as nossas vidas com medo. Dormimos com a roupa vestida e com a chave do carro debaixo da almofada, para o caso de termos de sair de casa por causa das ameaças físicas. Cada vez que o telefone toca à noite, ficamos à espera que seja do hospital. Quando tocam inesperadamente à porta, o nosso pensamento é que seja a polícia e que ele tenha feito uma overdose, tenha tido um acidente de carro, ou que tenha sido apanhado a roubar numa loja.
Já gastámos muito dinheiro com tentativas de tratamento – dinheiro que poderíamos ter usado para que a nossa filha fosse para a faculdade. Não temos ideia de quanto ela está a ser afectada por isto e, honestamente, temos medo de perceber. O nosso filho está envolvido em actividades ilegais e ri-se das nos…
Mensagens recentes

Até que a morte nos junte

A morte. Esse momento que nos é certo e sobre o qual a humanidade se debruçou desde os seus primórdios. O que acontece após a morte? Como adiá-la e, até, evitá-la? Será que está definido o seu momento a priori? E como nos preparamos para ela? Será que “voltamos” a existir após a nossa morte? Será que reencontramos as pessoas de quem gostamos e que faleceram ou que deixamos cá quando falecemos? Será que somos feitos de “corpo e alma” e que estes se separam no momento da morte? Será que algum dia iremos impedir a morte? E a morte medicamente assistida? E como lidar com a morte dos nossos animais de estimação? Enfim, são inúmeras perguntas as que fazemos sobre a morte numa busca incessante por respostas e soluções que nos permitam entendê-la. E enquadrá-la na vida.

A morte é, certamente, um dos assuntos que mais envolveu as várias culturas, religiões e etapas da humanidade. Anúbis, deus egípcio dos mortos; Thanatos, divindade grega que representa a morte; Hela, deusa dos mortos na mit…

Gosto de alguém com Perturbação de Personalidade Borderline... E agora? (Continuação)

O termo perturbação de personalidade denuncia a utilização de um padrão de comportamento inflexível, mesmo em situações em que este não contribui para uma adequada resolução da situação. Em grande parte das situações é possível perceber que este padrão poderá ter sido adaptativo noutra altura da vida da pessoa, mas já não o é, embora a pessoa continue a usar-se dele. Funciona como uma roupa velha, que já não serve, mas que queremos continuar a usar. Algumas vezes por acreditarmos que essa roupa nos ficava muito bem e na esperança de ainda conseguirmos o mesmo efeito.
Assim é, também, com este tipo de padrão comportamental. Escrevo comportamental no sentido lato porque, efectivamente, numa perturbação da personalidade, descobre-se um padrão que é comportamental na sua abrangência mas que se enraíza nas emoções, nos pensamentos, nas aprendizagens e nas relações estabelecidas.

Falando especificamente da Perturbação de Personalidade Borderline, considera-se que existem causas multifact…

Limites: As regras feitas de amor

Tem medo de contrariar o seu filho? Cede sempre às suas vontades?

Hoje, falamos-lhe da importância que a imposição de limites tem no desenvolvimento psicológico e emocional da criança.

Desafiar e testar os pais, procurando satisfazer ao máximo os seus desejos e vontades, é o papel de qualquer criança. A busca ilimitada de prazer é o seu principal objectivo, onde a fantasia de que tudo é possível ganha maior destaque. Contudo, é fundamental orientar a criança para que esta perceba que nem todos os momentos são de prazer e que existem situações em que devem ser cumpridas regras e deveres.

A imposição de limites permite à criança conhecer o sentimento de frustração. Contrariar as suas vontades dizendo que não é essencial ao desenvolvimento de estratégias para lidar com a frustração, que proporcionam à criança a capacidade de ultrapassar tais situações no momento bem como, no futuro, enquanto adultos.

A criança que cresce com falta de limites, cresce com dificuldades na percepção do outr…

As birras dos adultos

Quando pensamos na palavra birra, surgem-nos à mente reacções ou comportamentos exagerados, fora de contexto ou irracionais e que tendem a ser causados por um capricho pessoal, frustração ou contrariedade. São, afinal, comportamentos que tendem a quebrar a harmonia nas relações e são uma potencial fonte de problemas, se não forem bem geridos. Claro que uma birra todos podemos fazer, uma vez ou outra vez. Desde que seja apenas isso.

Associamos birras às crianças, é inevitável! A grande questão é que nós, adultos, também as fazemos e frequentemente. Neste texto, procuro explorar as birras nos adultos: o que as causa, de que forma se manifestam e o que temos a fazer nestes casos.

O primeiro passo é reconhecermos que as fazemos e quando as fazemos. Perante o outro mas, mais do que tudo, perante nós próprios. Dentro do conceito de birra, surgem tantas vezes comportamentos que nos levam a responsabilizar as outras pessoas e factores externos para comportamentos menos adequados (ou com pi…

Bem me quero

Hoje é dia de falar de amor e, acima de tudo, de o celebrar. No meio dos chocolates, flores, jantares iluminados com velas e planos a dois é demasiado fácil associar este dia ao amor romântico, com tudo o que pode haver de belo e de avassalador nessa experiência de partilha. Menos óbvio, no entanto, será compreender de que forma o amor pode vir de dentro ou como encontrá-lo, fazendo a distinção entre o que é meu e da minha relação comigo e o que é da minha relação com o outro. 
O envolvimento que temos connosco próprios é primordial e essencial. Somos a nossa primeira e eterna companhia. Naturalmente, é profundamente doloroso quando essa companhia não é satisfatória ou quando se transforma em crítica e rejeição. Um self que não se ama – narcisismos à parte - é um self que se debate na hora da entrega ao outro. Parece imperativo, portanto, que nos cuidemos ou, melhor dizendo, que nos amemos.
Há amor em trazer para as nossas vidas pessoas que nos nutrem, regando cuidadosamente essas …

O luto no Natal

Faz já um ano que a Psinove teve a oportunidade de falar sobre luto no Natal a uma das publicações com que colabora. Um ano depois, justifica-se voltar ao tema já que será uma das situações mais complicadas que esta época festiva traz consigo.
Antes de tudo mais, o luto é a reacção a uma perda significativa, que exige uma reorganização do significado, sentido e objectivos da própria vida de quem sobrevive. A tristeza acaba por ser uma emoção natural e ajustada à situação de luto, sobretudo quando estamos a falar de uma perda recente: o primeiro Natal após a perda será sempre marcado pela ausência da pessoa que já não está presente. A esta tristeza deverá ser dado o espaço e o tempo para que seja vivenciada de forma adaptativa, promovendo sempre que a pessoa a viver o luto esteja inserida num ambiente contentor e de suporte. Sobretudo, que possa partilhar as suas emoções e memórias com outras pessoas significativas, construindo assim novos elos de significado e organizando a memória d…