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Mensagens

O luto no Natal

Faz já um ano que a Psinove teve a oportunidade de falar sobre luto no Natal a uma das publicações com que colabora. Um ano depois, justifica-se voltar ao tema já que será uma das situações mais complicadas que esta época festiva traz consigo.
Antes de tudo mais, o luto é a reacção a uma perda significativa, que exige uma reorganização do significado, sentido e objectivos da própria vida de quem sobrevive. A tristeza acaba por ser uma emoção natural e ajustada à situação de luto, sobretudo quando estamos a falar de uma perda recente: o primeiro Natal após a perda será sempre marcado pela ausência da pessoa que já não está presente. A esta tristeza deverá ser dado o espaço e o tempo para que seja vivenciada de forma adaptativa, promovendo sempre que a pessoa a viver o luto esteja inserida num ambiente contentor e de suporte. Sobretudo, que possa partilhar as suas emoções e memórias com outras pessoas significativas, construindo assim novos elos de significado e organizando a memória d…
Mensagens recentes

Gosto de alguém com Perturbação de Personalidade Borderline. E agora?

A Perturbação de Personalidade Borderline é uma doença grave que conduz a uma visão “tudo ou nada” da realidade (totalmente boa ou má, oscilando entre um extremo e outro), à sensação crónica de vazio ou perda de identidade, com mudanças de humor extremas e rápidas. As pessoas com esta perturbação agem impulsivamente e o seu medo de abandono leva, muitas vezes, a que ajam em relação aos outros com excesso de crítica e culpabilização. Algumas pessoas com esta condição podem magoar-se propositadamente ou mesmo considerar o suicídio como opção para fugir a todo o sofrimento que vivenciam.
Geralmente, o mais complicado de compreender no comportamento das pessoas com Perturbação de Personalidade Borderline não é o “quê” mas sim o “porquê”. Esta questão é a que mais atormenta a família ou pessoas próximas que, apesar de conseguirem compreender os sintomas do problema, grande número de vezes, sentem dificuldade em compreender as razões que conduzem a pessoa com a perturbação a reagir como re…

A pressão dos pares

A pressão de pares ou pressão social diz respeito à influência exercida por um conjunto de indivíduos (ou apenas um), em que se incentiva uma pessoa a mudar os seus comportamentos e/ou atitudes para estar em conformidade com um grupo. Ou seja, é sentido que se deve fazer exatamente o mesmo que os(as) amigos(as) para que possa pertencer-se ao grupo. Os(As) outros(as) coagem-nos ou obrigam-nos a fazer alguma coisa que usualmente não praticamos ou, contrariamente, impelem-nos a deixar de fazer algo que fazemos habitualmente.

Pensar em pressão de pares leva-nos, habitualmente, a uma ideia negativa de ação, mas também pode ser positiva quando refletimos, por exemplo, na possibilidade de intervenção de pessoas para motivar um estudante a melhorar as notas escolares. Se um grupo exibir um determinado comportamento, a probabilidade é imensa dos outros membros adotarem essa conduta.

Pressão social positiva pode ser:
- Quando é possível ser tão bom estudante quanto os(as) amigos(as);
- Um …

Processo de Luto

Desde que ouvi o grito da mãe, agarrada ao telemóvel, que estas nuvens não me deixam ver claramente o que se passa. Quando ela me olhou, estrangulando o telemóvel já desligado, soltou a frase que ficou gravada grave e em câmara lenta: “O pai morreu!”.

Passaram uns dias, desde essa altura. Talvez mais, talvez um mês ou dois. Sei que estava calor, estava um dia tão quente como nunca tinha sentido antes, de tal forma que comecei a sentir-me febril. Talvez as nuvens que me perseguem sejam consequência dessa febre que se me acometeu. Só me chateia que pareça que todas as minhas recordações recentes me apareçam nubladas, que o cinzento invada o plano para amanhã.

Naqueles dias, muitas foram as pessoas que me abordaram, tentando perceber como me sentia e se precisava de alguma coisa. Estive tentado a dizer-lhes, muitas vezes tive de me controlar para não o fazer: ele nunca estava em casa. O meu pai nunca estava comigo, mal me conhecia. Por que razão iria agora fazer-me falta? Porque raio …

Assertividade – A comunicação da aceitação

Diz-se que a sociedade de hoje está muito egoísta mas, na verdade, em muitos momentos, sentimos dificuldade em afirmar o que somos, pensamos e sentimos em diversos contextos (profissional, social, familiar, conjugal, etc.).
De facto, muitas vezes se confunde agressividade com assertividade. A grande diferença entre ambas é que na primeira afirmamo-nos atacando, não dando espaço ao/s outro/s, enquanto, na segunda, somos capazes de reconhecer o outro que é necessariamente diferente de nós com as suas expectativas, crenças e sentimentos, dando-lhe espaço para se manifestar. No fundo, para sermos assertivos temos de aceitar que eu não sou o outro nem o que o outro espera de mim, mas também o inverso, e que os conflitos, sejam internos (connosco próprios) ou externos (com outro/s), fazem parte da existência humana. Além da aceitação da diferença e do conflito, a assertividade pressupõe auto-estima. Ou seja, gostarmos de nós próprios, para termos capacidade e nos julgarmos merecedores de…

(Des)Conversas com adolescentes

Os pais e as mães por vezes queixam-se de que os/as filhos/as mudaram a sua forma de estar na relação com a família, estão distantes e a comunicação é difícil. Para os/as pais/mães é angustiante tentar dialogar e sentir que as respostas acontecem com pouca expressão, sentindo a ausência de vontade de comunicar.

É mais comum esta situação ocorrer com filhos adolescentes. Nesta fase de desenvolvimento, os adolescentes têm mais necessidade de um espaço próprio e, naturalmente, cresce a importância de permanecer mais tempo com quem possuí os mesmos interesses. Na maior parte das vezes, são os pares que têm este perfil identificativo e estas relações com pessoas que possuem ideias comuns é muito salutar para o crescimento psicológico do/a adolescente.

O/A adolescente vivencia, por vezes, esta etapa de desenvolvimento com instabilidade emocional e daí decorre diversas vezes depararmo-nos com mau humor, irresponsabilidade, rebeldia, impaciência e revolta.

Apesar de ser crucial respeitar …

A sexualidade moderna: pornografia online, redes sociais e sexting

Ao longos dos últimos anos, temos assistido ao crescimento exponencial da pornografia através da internet. Longe vão os tempos em que esse tipo de conteúdo era pago e dependente do aluguer num clube de vídeo. Hoje em dia, a pornografia está plenamente disseminada, de forma gratuita e ao alcance de qualquer um (incluindo de menores, com tudo o que isso implica). Esta pode até ser benéfica, tanto numa relação amorosa como individualmente - se usada no contexto certo e em quantidade adequada.

É aqui mesmo que podemos encontrar a raiz da preocupação: contexto e quantidade. É cada vez mais comum recebermos pessoas que procuram a ajuda da psicoterapia para lidar com perturbações sexuais criadas ou reforçadas pelo consumo de pornografia. Desejo sexual hipoativo (falta de líbido), vaginismo (dificuldade da mulher em tolerar a penetração devido a contrações involuntárias e persistentes dos músculos do períneo ligados ao terço inferior da vagina), anorgasmia (inibição ou grande dificuldade em…