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Mensagens

A Crítica e o Elogio na nossa vida: parte I – a Crítica

Tanto o elogio como a crítica têm um papel importante nas nossas relações, papéis e actividades diárias. Porém, muitas pessoas não usam estes comportamentos de forma flexível e ajustada ao momento presente. Muitas delas, não tiveram modelos parentais que lhes ensinassem a elogiar e a criticar de forma saudável e promotora do crescimento. Este primeiro texto assenta sobre o poder da crítica e o seguinte será sobre o elogio.

A crítica, em demasia, tem uma influência negativa no desenvolvimento e manutenção da auto-estima. Tornamo-nos híper conscientes a respeito dos nossos supostos “defeitos”, incapacidades e limitações. Esta perspectiva tende a prejudicar quem somos, como nos relacionamos com os outros e que fazemos. Física e psicologicamente, temos a sensação que não somos bons o suficiente. Que somos diferentes. Que somos menos do que os outros. E se pensar na minha prática clínica, a crítica exagerada pode contribuir para pessoas ansiosas, depressivas, com perturbações alimentares…
Mensagens recentes

A Importância Psicológica da Leitura e da Escrita

Sabemos hoje que a leitura e a escrita são das aprendizagens mais importantes e completas para o Ser Humano. Além da óbvia aprendizagem de uma forma completa e aprofundada de comunicar, a leitura e a escrita permitem-nos desenvolver a motricidade fina superior, a percepção visual-espacial, a criatividade, a atenção focada, a memória, o raciocínio lógico, entre outras componentes psicológicas.
Ler é das poucas aprendizagens que não podem ser esquecidas. Isto acontece pois o cérebro lê de forma involuntária, como se fosse obrigado a ler o que lhe aparece à frente, estando, assim, sempre activo para ler.
Já a escrita deve ser trabalhada, incentivada e treinada. Os vários tipos de letra indicam, muitas vezes, a postura de cada um face à tarefa. Um tipo de letra mais desleixado e atabalhoado pode significar desmotivação ou desinteresse, enquanto um tipo de letra mais cuidado, mais fácil de ler, apontará para uma tarefa que está a ser realizada com atenção e afinco.
Das mais importantes c…

Gosto de alguém com personalidade borderline... e é a minha mãe

“Durante muitos anos aprendi a não contrariar a minha mãe quando está de mau humor – especialmente se esteve a beber. Torna-se argumentativa por assuntos sem importância e tenta atribuir tudo a mim. Eu nunca digo nada, porque o que quer que diga, está sempre tudo errado. Se ela me pergunta algo, eu digo apenas “Não sei”. Apesar de ter trinta e três anos, lembro-me do dia em que descobri que podia simplesmente responder “Não sei” (tinha onze anos) e que isso resultava para que se calasse. Naquela altura, achava que todas as mães agiam assim.” Gail, in Stop walking on eggshells workbook
Crescer com um pai ou uma mãe com Perturbação de Personalidade Borderline causará, quase indubitavelmente, algumas especificidades, por exemplo, na forma como se constroem as relações e na confiança ou tranquilidade com que se encara o mundo.

Nas fases mais precoces da vida dos indivíduos, as necessidades mais preponderantes são as necessidades fisiológicas e as de segurança. A consistência e o afect…

A arte de saber desejar

Existir sempre veio acompanhado de desejar. Desejamos desde que somos, vemos e sonhamos. O desejo é o motor de muito do que conquistamos e, ao mesmo tempo, do sofrimento que acompanha as nossas perdas e falhanços.

Gil Fronsdal, professor no Insight Meditation Center, faz uma distinção curiosa entre o desejo que traz felicidade e o desejo que traz dor. Define o desejo como um espectro, que vai de um extremo menos positivo – craving (ânsia) – a um mais positivo e saudável – aspiration (aspiração).

Se pensarmos em termos psicológicos, facilmente se compreende de que forma o desejo enquanto ânsia pode estar na base do sofrimento que por vezes nos envolve. É um desejo cristalizado, que causa pressão, auto-crítica e ansiedade. É mais flagrante em crenças de cariz negativo, os “devias”: devia ser capaz de ter 20 à cadeira x, devia ser perfeito em tudo o que faço, devia estar à altura de todos os desafios, devia não precisar de ajuda. Guiados por ânsias, é difícil que tomemos decisões acer…

Adolescência vs. Profissão: O que quero ser no futuro?

O que devo fazer no futuro?  Será esta profissão a certa para mim?
Irá esta profissão garantir um bom futuro?

Estas são perguntas frequentes no momento de tomar a decisão quanto à escolha da profissão. Por trás desta escolha, existe um jovem adolescente na sua fase de maior desenvolvimento, onde existem preocupações relativamente aos pares, à família, à sociedade e a tudo aquilo que o rodeia. Não é uma tarefa fácil e é exigida ao jovem que a tome, numa fase em que a ansiedade e o medo de errar são vividos com maior intensidade.
A sociedade e os desejos da própria família são apenas mais um ingrediente a juntar à dificuldade que representa a escolha da profissão, pelo que o suporte daqueles que rodeiam o adolescente é fundamental para dar resposta às suas dúvidas, tornando o processo de tomada de decisão o mais fácil possível.

Escolher a profissão deverá ser uma decisão que tenha por base os gostos do adolescente, as suas aptidões quer a nível intelectual quer a nível físico e os se…

Gosto de alguém com personalidade borderline... e é o meu filho.

"O nosso filho tem dezasseis anos, por isso, por vezes, é difícil perceber onde acaba o tradicional comportamento adolescente e onde começa a perturbação de personalidade borderline. Como ele não adere à terapia, provavelmente nem importa. Vivemos as nossas vidas com medo. Dormimos com a roupa vestida e com a chave do carro debaixo da almofada, para o caso de termos de sair de casa por causa das ameaças físicas. Cada vez que o telefone toca à noite, ficamos à espera que seja do hospital. Quando tocam inesperadamente à porta, o nosso pensamento é que seja a polícia e que ele tenha feito uma overdose, tenha tido um acidente de carro, ou que tenha sido apanhado a roubar numa loja. Já gastámos muito dinheiro com tentativas de tratamento – dinheiro que poderíamos ter usado para que a nossa filha fosse para a faculdade. Não temos ideia de quanto ela está a ser afectada por isto e, honestamente, temos medo de perceber. O nosso filho está envolvido em actividades ilegais e ri-se das nos…

Até que a morte nos junte

A morte. Esse momento que nos é certo e sobre o qual a humanidade se debruçou desde os seus primórdios. O que acontece após a morte? Como adiá-la e, até, evitá-la? Será que está definido o seu momento a priori? E como nos preparamos para ela? Será que “voltamos” a existir após a nossa morte? Será que reencontramos as pessoas de quem gostamos e que faleceram ou que deixamos cá quando falecemos? Será que somos feitos de “corpo e alma” e que estes se separam no momento da morte? Será que algum dia iremos impedir a morte? E a morte medicamente assistida? E como lidar com a morte dos nossos animais de estimação? Enfim, são inúmeras perguntas as que fazemos sobre a morte numa busca incessante por respostas e soluções que nos permitam entendê-la. E enquadrá-la na vida.

A morte é, certamente, um dos assuntos que mais envolveu as várias culturas, religiões e etapas da humanidade. Anúbis, deus egípcio dos mortos; Thanatos, divindade grega que representa a morte; Hela, deusa dos mortos na mit…

Gosto de alguém com Perturbação de Personalidade Borderline... E agora? (Continuação)

O termo perturbação de personalidade denuncia a utilização de um padrão de comportamento inflexível, mesmo em situações em que este não contribui para uma adequada resolução da situação. Em grande parte das situações é possível perceber que este padrão poderá ter sido adaptativo noutra altura da vida da pessoa, mas já não o é, embora a pessoa continue a usar-se dele. Funciona como uma roupa velha, que já não serve, mas que queremos continuar a usar. Algumas vezes por acreditarmos que essa roupa nos ficava muito bem e na esperança de ainda conseguirmos o mesmo efeito.
Assim é, também, com este tipo de padrão comportamental. Escrevo comportamental no sentido lato porque, efectivamente, numa perturbação da personalidade, descobre-se um padrão que é comportamental na sua abrangência mas que se enraíza nas emoções, nos pensamentos, nas aprendizagens e nas relações estabelecidas.

Falando especificamente da Perturbação de Personalidade Borderline, considera-se que existem causas multifact…

Limites: As regras feitas de amor

Tem medo de contrariar o seu filho? Cede sempre às suas vontades?

Hoje, falamos-lhe da importância que a imposição de limites tem no desenvolvimento psicológico e emocional da criança.

Desafiar e testar os pais, procurando satisfazer ao máximo os seus desejos e vontades, é o papel de qualquer criança. A busca ilimitada de prazer é o seu principal objectivo, onde a fantasia de que tudo é possível ganha maior destaque. Contudo, é fundamental orientar a criança para que esta perceba que nem todos os momentos são de prazer e que existem situações em que devem ser cumpridas regras e deveres.

A imposição de limites permite à criança conhecer o sentimento de frustração. Contrariar as suas vontades dizendo que não é essencial ao desenvolvimento de estratégias para lidar com a frustração, que proporcionam à criança a capacidade de ultrapassar tais situações no momento bem como, no futuro, enquanto adultos.

A criança que cresce com falta de limites, cresce com dificuldades na percepção do outr…

As birras dos adultos

Quando pensamos na palavra birra, surgem-nos à mente reacções ou comportamentos exagerados, fora de contexto ou irracionais e que tendem a ser causados por um capricho pessoal, frustração ou contrariedade. São, afinal, comportamentos que tendem a quebrar a harmonia nas relações e são uma potencial fonte de problemas, se não forem bem geridos. Claro que uma birra todos podemos fazer, uma vez ou outra vez. Desde que seja apenas isso.

Associamos birras às crianças, é inevitável! A grande questão é que nós, adultos, também as fazemos e frequentemente. Neste texto, procuro explorar as birras nos adultos: o que as causa, de que forma se manifestam e o que temos a fazer nestes casos.

O primeiro passo é reconhecermos que as fazemos e quando as fazemos. Perante o outro mas, mais do que tudo, perante nós próprios. Dentro do conceito de birra, surgem tantas vezes comportamentos que nos levam a responsabilizar as outras pessoas e factores externos para comportamentos menos adequados (ou com pi…